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IA e trabalho

Em uma fraseTecnologia que poupa trabalho cria riqueza. Cada revolução industrial começou com medo de desemprego e terminou com mais prosperidade, com uma transição dura para quem estava no meio dela.

  1. A máquina faz mais com menos gente.
  2. O produto fica mais barato.
  3. As pessoas compram mais, e compram coisas novas.
  4. Surgem trabalhos que não existiam.
AntesDepois
População mundial em pobreza extrema79% em 18209% em 2018
Expectativa de vida média no mundo32 anos em 190073 anos em 2023
Horas de trabalho por ano nos países ricosmais de 3.000 em 1870cerca de metade hoje

Fontes: Our World in Data, sobre pobreza extrema, expectativa de vida e horas de trabalho.

  • Eletricidade. Em 1899, menos de 5% da força das fábricas americanas era elétrica. A produtividade só subiu nos anos 1920, quatro décadas depois da primeira usina, quando as fábricas foram redesenhadas em volta do motor elétrico (David, 1990).
  • Caixa eletrônico. Nos Estados Unidos, entre 1988 e 2004, cada agência passou de 20 para 13 caixas, mas o número de agências urbanas cresceu 43%. O trabalho mudou de contar dinheiro para atender (Bessen, FMI 2015). Hoje a função de caixa de banco voltou a encolher.
  • Planilha eletrônica. Desde 1980, os Estados Unidos perderam cerca de 400 mil auxiliares de contabilidade e ganharam cerca de 600 mil contadores (NPR).
  • Trabalhos novos. Cerca de 60% dos empregos americanos de 2018 tinham nomes que não existiam em 1940 (Autor et al., 2024).
  • Entre 1780 e 1840, a produção por trabalhador na Grã-Bretanha subiu 46%, e o salário real só 12%. O ganho levou décadas para chegar a quem trabalhava (Allen, 2009).
  • No Brasil, os bancários caíram de mais de 730 mil para 393 mil entre o início dos anos 1990 e 2001. Não foi só tecnologia: o fim da inflação alta, fusões e privatizações também pesaram (DIEESE).
  • No Brasil, 29,6% dos trabalhadores, quase 30 milhões, estão em ocupações com alguma exposição à IA generativa (FGV IBRE, 2026). Exposto não quer dizer substituído: na maioria dos casos, parte das tarefas muda. Pelo índice da OIT, só uma pequena parcela das ocupações no mundo está no grau mais alto de exposição (OIT, 2025).
  • O primeiro sinal de custo aparece em quem está começando a carreira: nos Estados Unidos, jovens de 22 a 25 anos nas funções mais expostas tiveram de 13% a 19% menos emprego relativo (Stanford, 2025–2026). Na economia como um todo, ainda não há ruptura ampla (Yale Budget Lab).

No livro The Adaptation Advantage (2020), Heather McGowan e Chris Shipley descrevem três coisas que a tecnologia faz com o trabalho: aumenta o que você faz, fatia o trabalho em pedaços menores e automatiza alguns desses pedaços. A proposta deles é ancorar a identidade no porquê do seu trabalho, não no cargo. O porquê continua seu.